segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Nos pinceis da vida


Conheci Monet ainda criança. A primeira vez que ouvi falar dele foi através de um livro que o colégio recomendou que lêssemos: “Linéia no Jardim de Monet”. Ao ler a descrição daquele jardim, que foi inspiração para tantos quadros dele, fui tomada pela curiosidade acerca daquele artista que despertou minha sensibilidade, ainda infantil, devido a idade, mas que já ganhava formas, que só cresceriam ao longo dos anos.

Não esqueço o dia em que fui ao Museu Nacional de Belas Artes e tinha uma exposição com quadros dele, e me encantei ainda mais pelas lindas paisagens que ele pintava. Com aquele estilo, na minha opinião, meio onírico e real, era como se eu conseguisse penetrar e sentir aquele momento que ele presenciou ao pintar. Era real porque os cenários realmente existiam, mas era onírico pela sensação que despertava em mim: Monet era capaz de me transportar, me fazer sentir a brisa que batia, o cheiro das flores, o barulho das folhas. 

Tudo era real demais enquanto eu observava os quadros. E, dentre a vasta obra do artista, uma me chamou especial atenção: o quadro da ponte japonesa. Na verdade, Monet pintou muitos quadros com esse tema, mas o que eu mais gosto é o primeiro: aquele feito na época em que ele ainda enxergava perfeitamente, e as cores e os detalhes estão bem presentes. Eu, na minha imaginação de criança, me via correndo por aquela ponte, como se mais nada importasse no mundo. Essa, para mim, é a obra mais “onírico-real” que Monet fez.

Desde então, passei a me interessar sobre tudo que dizia respeito ao artista: ganhei um livrinho da minha tia (que foi quem me levou à exposição), contando um pouco mais sobre a vida e obra dele. Mas, minha maior obra-prima achei em Londres: o livro “Monet by himself”, que tem a reprodução de todas as obras dele, com as histórias contadas por ele mesmo. Não são poucas as vezes que, até hoje, me pego admirando o quadro da ponte japonesa. Ainda hoje consigo me imaginar naquele jardim, talvez não mais correndo pela ponte, mas absorvendo a energia do lugar tão a cara daquele pintor que eu cresci admirando.

Eu cresci, e Monet cresceu comigo. Para mim, o verdadeiro artista é aquele que, apesar das marcas de seu tempo presentes na obra, consegue ser atemporal. E o melhor: consegue sensibilizar e emocionar através de sua obra, seja ela qual for. O artista que coloca sua alma naquilo que faz tende a ser inesquecível, assim como Monet é para mim.

* Texto escrito para um exercício da disciplina Sociologia da Arte, que acabei de achar aqui, entre minhas coisas.