quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Música sem fronteiras


Acho que alguns dos meus queridos leitores sabem que eu sou espírita – e para quem não sabia, está sabendo agora. Gosto muito da doutrina, freqüento centro, estudo, leio e minha vida ganhou um sentido mais pleno desde que me aproximei do espiritismo. Mas não vim aqui falar de religião – embora minhas crenças e valores estejam embutidos em muitos dos meus textos. Vim falar de música, a criação artística que alimenta minha alma e conta a história da minha vida. Música sem fronteiras, sem barreiras, sem religião.

Comecei o texto falando da minha religião porque vim falar sobre música e religião. Na verdade, músicas universais, na minha opinião, mas que são vinculadas a um grupo ou artista de determinada religião. Já que sou espírita, me reservo no direito de começar a falar de música espírita, e quero destacar dois artistas: o compositor Gabriel Musse e o Grupo de Canto Iluminar – que foi por onde conheci o primeiro e que é, inclusive, compositor da música que dá nome ao grupo. As músicas do baiano Gabriel Musse têm uma densidade leve, são muito ricas em poesia, no sentido pleno da palavra. Elas passam as mensagens de forma inteligente e contagiante. Já o Iluminar é o grupo dos meus queridos amigos, também baianos, responsáveis por eu conhecer músicas que, hoje, fazem parte da trilha sonora da minha vida – e que eu indico para todos vocês. Eles acabaram de lançar o primeiro CD e seria injusto eleger uma música apenas para falar, pois cada uma delas tem um significado especial para mim. E cada vez que eu ouço, sinto uma energia diferente, cada vez mais intensa, daqueles que cantam com a alma e o coração.

E, provando que música não tem mesmo fronteiras, o Grupo de Canto Iluminar gravou duas músicas de um grupo católico, também da Bahia. Falando na Igreja Católica, quero destacar uma música que conheci dia desses e me encantou profundamente: “Contrários”, do Padre Fábio de Melo. Com letra rica em boas palavras e melodia envolvente, a música é daquelas que não tem como ouvir uma vez só. Aprendi com ele que “só quem perdoou na vida sabe o que amar”. Há lição mais universal que essa?

Dos evangélicos, por sua vez, vou falar de uma pastora que me emociona cada vez que abre a boca, seja para cantar ou para louvar (perdão aos evangélicos se o termo não é esse, mas foi o que me veio à cabeça agora...). Fernanda Brum é um ser iluminado, além de uma cantora excepcional. A conheci através da música “Espírito Santo” (apresentada pelos meus amigos do Iluminar) e me encantei, especialmente depois de saber a história que a fez cantar esta música. Mas tem uma música do DVD “Cura-me” que não me canso de ouvir: “Alta Madrugada”. Essa faixa, com 15min de duração, é alento para a minha alma.

Poderia passar horas aqui enumerando outras tantas músicas e artistas que fizeram a diferença na minha vida. Mas, só queria deixar claro que, independente de credos, a música está aí para emocionar, para ensinar, para ser sentida. Afinal, para quê impor barreiras ao que ultrapassa o material?

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Por um 2011 mais verdadeiro

O que Ano Novo e Matrix têm em comum? Bem, eu não saberia responder a essa pergunta se ela me fosse feita antes do dia 2 de janeiro. O fato é que “analfabeta funcional cinematográfica” que sou (aquela que sabe da existência dos filmes, conhece as histórias, mas nunca os assiste), ainda não tinha assistido Matrix antes da data citada anteriormente (resolução para 2011: visitar mais a locadora). Mas, como nada na vida é por acaso, acho que assisti no momento certo. E o que entendi do filme se encaixa perfeitamente nas situações que vivenciei no meu Reveillon.

Fomos, eu e Dai (a baiana mais querida do Brasil), para Copacabana passar nosso Ano Novo, já que ela nunca tinha passado tal data aqui no Rio, e resolvemos ficar no posto 3 (palco principal) para assistir ao show de sua conterrânea, Daniela Mercury. Tudo muito bom, tudo muito bem. O show foi legal, a queima de fogos foi linda (com direito à música instrumental e a zorra!), mas eis que chega a hora de voltar para casa. Como todos devem imaginar, Copa estava super cheia, mas até então, nenhum incidente tinha acontecido. Até que, enquanto caminhávamos de volta à calçada, três criaturas (que estão mais  para jumentos que seres humanos) resolveram começar a empurrar, e pronto: a confusão se instaurou. Quase morremos esmagadas/pisoteadas, mas entre mortos e feridos, salvaram-se todos (inclusive minha esperança de que esse ano será diferente e que as pessoas - incluindo-me nesta lista! – serão melhores).

Mas, voltando à Matrix... Diante do que aconteceu em Copacabana, esse filme teve significado especial para mim. Mais do que isso: tive a prova de que as pessoas realmente vivem iludidas, presas em seus mundos, sendo incapazes de olharem para as outras. Sabe aquela história de “farinha pouca, meu pirão primeiro”? Pois é assim que as pessoas vivem: em um egoísmo sem fim. Neste Reveillon, eu tive a prova de que muitas pessoas ainda não conhecem a verdadeira vida e os verdadeiros valores – caridade, paciência, compreensão, entre tantos outros – e agradeci a Deus por não estar mais no patamar das pessoas que “empurram” as outras para tirarem vantagem. Ou por pura diversão (ou perversidade), o que é muito pior, e foi o que, infelizmente, eu vi acontecer. Porque as três criaturas não estavam empurrando para ajudar a passar alguém que estava passando mal, faziam isso por puro divertimento, pelo prazer de causar tumulto. Por mais que eu só esteja milímetros a frente deles, em termos de evolução e conhecimento da verdade, eu já estou feliz. Pelo menos alguma coisa sobre a vida eu já devo ter aprendido, pata ter me chocado com a cena que vi. Porque ainda teve aquelas pessoas que estavam no conforto de sua área vip, dançando e bebendo como se nada estivesse acontecendo – e a confusão estava a centímetros delas. Solidariedade para quê, né?

Ano novo, vida nova. É isso que eu espero que 2011 traga: a boa nova. Há muita gente ainda precisando conhecer a verdade e acordar para vida, em vez de viverem imersas na matriz de grande parte dos problemas: o materialismo (que traz consigo duas grandes chagas: o orgulho e o egoísmo). É, ainda temos muito o que evoluir. Posso não ser capaz de acabar com a “Matrix”, mas espero poder fazer, pelo menos um pouquinho, a diferença para essa mudança que desejo.