domingo, 3 de abril de 2011

Uma questão de escolha

Além de ser uma “analfabeta funcional cinematográfica” (não entendeu? Leia aqui.) – fato que estou procurando vencer – eu ando sem tempo de colocar meus pensamentos no papel (ou na tela). Mas, a verdade, é que assisti os outros dois filmes da trilogia Matrix, e estou aqui de volta – embora um pouco atrasada – para fazer minhas considerações.

Para mim, os dois outros filmes giram em torno de uma questão central: a escolha. Muitas vezes não podemos escolher o ambiente em que vivemos, mas podemos – e devemos – escolher de que forma este ambiente vai nos influenciar. Pegando o exemplo do filme, se precisamos viver na Matrix, podemos fazer com que isso seja motivo de aprendizado constante. Temos que estar aqui neste planeta, nas condições em que ele se encontra, mas temos a oportunidade e a responsabilidade de darmos o melhor de nós mesmos, de fazermos a diferença, por menor que ela seja.

Não vou entrar aqui no mérito de paraísos e infernos, mas acredito, sim, que não estamos aqui sem algum propósito. E é aí que reside a nossa escolha: o que estamos fazendo da nossa vida? Nossas escolhas, os caminhos que estamos seguindo, estão contribuindo para alguma melhora do ambiente em que estamos inseridos? Esses caminhos estão NOS fazendo pessoas melhores?

Gostei muito da cena do último filme, em que Neo luta com o Smith, o “anti-Neo”. Ele era uma pessoa que sabia do que havia além da Matrix, e fez sua escolha, a de continuar aprisionando as pessoas lá, a ignorar a verdade, por mais que tivesse consciência dela. Mais uma vez, é uma questão de escolha: precisamos, diariamente, lutar contra nossos fantasmas.

 Outra cena bastante marcante para mim foi o fim: a Matrix não acabou, mas reinou-se a paz. Eu entendi essa paz como o direito das pessoas fazerem suas escolhas, o livre-arbítrio para “sair” da Matrix, enxergando o que há além da matéria. A Matrix não foi destruída porque ainda precisamos dela, da máquina, da matéria. Mas quem deve estar no controle? A “máquina” ou nós? Acho que a genialidade desse filme está nas diversas interpretações que ele permite. E, assim como muitas pessoas, eu fiz a minha.

A forma que Neo morre, para mim, faz alusão a Jesus: a pessoa que veio até nós não para acabar com o mal, mas para nos mostrar uma outra forma de enxergar as coisas. Já o oráculo é o esclarecimento quanto a esse nosso livre-arbítrio, o de decidir sobre nosso destino. Ela podia estar vendo apenas uma variável daquelas tantas, mas nós podemos mudar. Ela trouxe esse conhecimento à tona, e este era o papel dela, não o de dar respostas.

Toda essa história me lembrou uma passagem do Evangelho, em que Jesus fala sobre a “porta estreita”, que diz assim: "Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ela. Que estreita é a porta, e que apertado o caminho que leva para a vida, e que poucos são os que acertam com ela". O "mal" é sedutor e é muito mais fácil viver iludido. Pois para alcançar o bem é preciso esforço e trabalho. E é por isso que os habitantes de Zion venceram as máquinas, mesmo elas sendo em maior quantidade. Afinal, o mal nada mais é que a ausência do bem.

2 comentários:

Kleyton Wheed disse...

Gostei do seu Blog, muito interessante!
muito bom trabalho mesmo, parabéns!
Visite meu blog e se gostar comente
e me siga se quiser que te siga também
grande abraço

BLOG DE POESIAS DO PROFEX disse...

Carol, como em Cidadão Kane - que foi um marco do cinema - acho que Matrix inaugurou uma nova fase do cinema, no que concerne à montagem, direção, efeitos, etc. Além do mais tem um roteiro fantástico e um enredo que nos faz pensar sobre as nossas verdades e crenças. Como você, vi que a questão das escolhas foi muito bem trabalhada, assim como diversas outras questões cruciais para nosso auto-conhecimento. O Oráculo disse que ele não era o escolhido... mas ele se escolheu!
Morfeu era o anunciador, os profetas anunciando a vinda do Mestre. Zion, Sion, Gaia, a Terra. Neo, neófito, o aprendiz que se torna o Salvador. Trinity representando a trindade(o amor é que permite tudo e o salva(Neo) e a todos nós...
Matrix pra mim é uma fábula tecnológica, fantástica e inesquecível!
Abraços!